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Inventário

Artistas

JULIANA BAUMANN

Artistas

JOÃO LEOPOLDO

Artistas

LUCIANA MARTINS

Artistas

RENATO KENJI

Artistas

MICHEL SCHERER

Artistas

ALCEU BETT

Artistas

JEAN SMEKATZ

Artistas

,OVO (LUCIANA MARTINS E GERSON

Artistas

FABIOLA RACY

Artistas

DANIEL SAYEGH

Artistas

DANIELLE NORONHA

Artistas

SMEKATZ / MARIA INES

Artistas

MARCO GIANNOTTI

Artistas

RICARDO KOLB

Artistas

ALEXANDRE DA CUNHA

Artistas

CLARA LETIZIA

Artistas

DUDI MAIA ROSA

Artistas

ANDREA BRAZIL

Artistas

MARTA SOARES

Organização

Jean Smekatz & Michel Scherer

Texto Crítico

Matheus Drumond

Data

08/08/2026

Localização

São Paulo - SP / Brasil

Não nos deixemos iludir pela felicidade que, à primeira vista, algumas dessas pinturas parecem prometer. A graça e a espontaneidade de um encontro feliz com o plano estão longe de constituir o solo de onde elas brotam. Embora a mostra não reúna apenas pinturas, são elas que lhe dão o tom. Por isso é possível falar em plano, na ruminação de quem busca resolver-se com ele até encontrar a justa medida: a sugestão que esteja à sua altura, à altura daquele que nele procura também afirmar-se. Trata-se de sustentar a tensão entre o peso de tudo o que foi feito e a exigência do novo, de equilibrar a solicitação do estilo com a necessidade de acolher aquilo que oferece o mundo.
Nessa armadilha estão todos os artistas, ou quase todos. Como produzir a sugestão certa, ampla o suficiente para tornar-se compartilhável, íntima o bastante para parecer pessoal? É claro que os trabalhos, cada um deles a seu modo, não são apenas sugestões. Do contrário, reduzidos a mensagens, correm o risco de se tornarem vontades extraviadas. Sugestão é um termo precário para nomear o movimento de alguém que, tendo visto muito, imerso na promiscuidade do tempo — muito passado no presente, muito futuro a assediá-lo, demasiadas projeções sobre aquilo que ainda não ganhou forma —, decide dar a ver algo. Não exatamente aquilo que um dia viu, nem necessariamente a alguém que conhece.
Dizer que essa diversidade de trabalhos responde a um problema de paisagem é, a um só tempo, irônico e impreciso. Se a arte não deixa de ser entendida como um confronto com o que se apresenta à experiência, em vias de sua transcriação, e se a paisagem, vista em sua dimensão cultural, é todo e qualquer enquadramento, quase tudo pode nela assumir a forma de uma paisagem: uma ambiência, um perfil de observação, um ponto de vista... Daí, inclusive, a viabilidade de se falar em uma paisagem sonora: toda paisagem não passa de uma imagem. Assim, um monte de areia forma um sambaqui; um risco errante sugere um volume no espaço; um retalho de couro se apresenta como uma silhueta.
Inventário, título tão insuficiente quanto abundante, restitui uma antiga ambivalência. Do termo latino inventio provêm tanto a palavra que nomeia nossos arrolamentos — o rol de coisas reunidas, encontradas e preservadas — quanto aquela que, na modernidade, passou a designar a invenção, essa estranha capacidade de produzir o que não estava de antemão dado. É dessa duplicidade que decorre a condição de todo inventor: a de lutar com, mas também contra, seu inventário. Reunidos nesta pequena mostra, esses inventores dão forma a um inventário dos diferentes modos de conduzir essa luta.
O tom épico, evocado imediatamente pela palavra luta, não é gratuito. O verso de uma das pinturas, talvez até mais que sua própria superfície visível, obriga-nos a falar em uma verdadeira guerra. Muitas marcas de dedo, um rastro da hesitação das mãos, testemunham o combate. Respirar debaixo de uma montanha de areia, ensaiar outra vez o telurismo um tanto piegas de se deixar guiar pela paisagem que o olho vê, encontrar um sentido fresco para as impressões roubadas a um idílio urbano e extrair, de materiais banais e corriqueiros, a arte... eis alguns dos pequenos heroísmos desses combatentes.
Tudo isso carrega as marcas desse embate injusto entre nós, potência de tudo fazer, e aquilo que em nós pertence ao habitual. As corriqueiras visões da natureza acendem o alerta para escapes, fugas elegantes ao mundo atordoado à nossa volta. Serão frutos da insistência de valores recessivos ou vontades de uma revisão aguda? Mas um velho mestre, que entre todos é um dos mais felizes, oferece sua saída ao impasse. É preciso rir um pouco, esquecer, ao menos por um minuto, o peso de estar sempre entre alguma coisa que não terminou e outra que apenas insinua começar. Rir junto da aquarela de tudo aquilo que deveria nela constar, de sua fisionomia usual. A historicidade deixa então de pesar como entrave para tornar-se, já leve, o lastro das alternativas.

Fotografia Ana Pigosso

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Centro - São Paulo / Brasil

 

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