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Entrevista com Jean Smekatz

Iniciativa do artista  Jean Smekatz, Cedroo abre a sua primeira exposição em São Paulo. Nesta entrevista, o idealizador fala sobre a proposta de criar um espaço independente de arte no centro da Capital e como será a dinâmica de exposições que começaram por “Seis do Seis”. A mostra receberá o público para uma imersão em obras inéditas de Smekatz e Michel Scherer até 1º de agosto.


Close-up view of a colorful tapestry made from recycled bottle caps
Cortesia do artista

Abrir sua casa e seu ateliê é um convite para uma visita à sua intimidade. Como está sendo transformar esse espaço de vivência e criação em um projeto mais amplo, envolvendo outros artistas e curadores? 


Smekatz - O Cedroo nasce justamente dessa vontade de compartilhar um espaço que sempre foi, antes de tudo, um lugar de experimentação. Abrir o apartamento e o ateliê é abrir também os processos, os estudos, as conversas e as trocas que atravessam o cotidiano da prática artística. Nesta exposição inaugural, existe uma dimensão mais íntima, porque o público acessa não apenas as obras minhas e do Michel Scherer, mas também o contexto em que elas foram produzidas, no meu caso. Desde sua concepção, o projeto foi pensado como um local para receber pesquisas, exposições e proposições de outros artistas, curadores e pesquisadores, ampliando trocas que já aconteciam de maneira informal. Mais do que uma casa ou um ateliê, o Cedroo busca ser um lugar de diálogo, onde diferentes práticas artísticas possam se encontrar e produzir novas camadas de leitura sobre o espaço, as obras e o próprio fazer artístico, ao mesmo tempo, preservando essa escala intimista.



O Cedroo acompanha uma forte tendência de espaços de arte independentes. Quais foram suas principais inspirações para criar esse escape dentro do circuito da arte? 


Smekatz - O projeto vem da necessidade de criar um ambiente mais próximo e menos condicionado pelos formatos tradicionais. Sempre me interessei por iniciativas que surgem da autonomia dos artistas e pela capacidade desses espaços de gerar encontros mais horizontais entre obra, artista e público. O Cedroo nasce da vontade de construir um lugar de permanência para a conversa e para a experiência. Um espaço onde seja possível desacelerar o olhar, acompanhar processos e criar relações mais diretas com as obras. Vejo como uma alternativa ao circuito, como um complemento, capaz de acolher projetos experimentais e promover diálogos que muitas vezes não encontram espaço em outras estruturas. 


As obras apresentadas nesta primeira exposição do Cedroo são inéditas? De que forma elas estão relacionadas com sua pesquisa atual sobre o monocromo? 


Smekatz - Sem dúvida. Como o espaço também é meu local de trabalho, existe uma convivência muito direta entre a minha produção e as pesquisas dos artistas convidados. Esse encontro gera diálogos inesperados e permite que as exposições sejam construídas de maneira mais orgânica, considerando não apenas as obras, mas também a arquitetura, a atmosfera e a história do lugar. Para as próximas exposições, o interesse é justamente aprofundar essa proposta de diálogo. Pretendo convidar artistas de diferentes gerações e linguagens, criando aproximações entre pesquisas que compartilham questões comuns, mesmo quando seus resultados formais são bastante distintos. O Cedroo deve continuar funcionando como um espaço de experimentação, encontro e troca, onde cada exposição possa transformar temporariamente a casa e produzir novas formas de convivência com a arte. 



O fato de o Cedroo acontecer em sua casa-ateliê faz com que haja um diálogo constante entre suas obras e as dos artistas convidados? Quais são os planos para as próximas exposições? 


Smekatz - Sim, as obras apresentadas são inéditas - produzidas de 2024 pra cá - e fazem parte da minha pesquisa sobre o monocromo que desenvolvo há alguns anos. Tenho me interessado cada vez mais por compreender a cor não apenas como elemento visual, mas como experiência sensível, temporal e corporal. Nessa produção, o monocromo aparece como um campo de investigação sobre presença, densidade e percepção. Ao reduzir a imagem às relações mais sutis de tonalidade, matéria e luz, procuro deslocar a atenção para aquilo que acontece entre a superfície da pintura e o olhar do espectador. São trabalhos que dialogam diretamente com minha pesquisa de mestrado, na Universidade de São Paulo, na qual investigo as possibilidades poéticas da cor e suas relações com o corpo, o gesto e a experiência contemplativa.



Entrevista realizada pela jornalista Rafaela Mazzaro para o Cedroo. Junho de 2026

 
 
 

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