top of page
Buscar

Entrevista com Débora Bolzsoni

Doutoranda em artes visuais pela Unesp e mestre em Poéticas Visuais pela ECA-USP, Débora Bolzsoni assina a curadoria da exposição inaugural do projeto Cedroo. Nesta entrevista, ela comenta como foi conduzir a mostra que reúne, pela primeira vez, obras dos amigos Jean Smekatz e Michel Scherer, e celebra a criação do espaço independente no fortalecimento da cena artística.


Close-up view of a colorful tapestry made from recycled bottle caps
Retrato de Débora por Robson Bolsoni

Quais foram os desafios de pensar uma exposição com produções de dois artistas de características distintas, mas unidos por uma forte amizade?

Como foi encontrar um eixo comum entre esses dois universos, que em alguns momentos se afastam e em outros se encontram? 


Bolzsoni - Eu não procurei um eixo comum, achei que a graça era justamente a diferença. Que a força da mostra deveria ser tomada por aí. E quis ressaltar que a junção da produção dos dois artistas se devia mais a um vínculo afetivo, de convivência e amizade, porque me pareceu mais provocativo pensar que interesses comuns e trocas tão íntimas entre artistas não necessariamente se convertem em obras afins. Depois, no desenrolar do texto, comecei a articular possíveis aproximações por conta dos contrastes internos na obra de cada um. Smekatz e Scherer jogam cada qual com forças antagônicas em suas imagens.



O número SEIS, que dá nome à mostra de estreia do Cedroo, está relacionado à ideia de equilíbrio. De que forma essa noção de harmonia pode ser percebida nesta exposição? 


Bolzsoni - Acredito que sim, mas não percebia como uma relação tão estreita de início, digo, o nome não guiou a curadoria. Só agora é possível pensar nisso - de que a escolha do título já dizia respeito a uma busca por relações de equilíbrio. Não sei se tem o mesmo sentido da palavra harmonia. Eu deixei o título ficar, fazia sentido para os artistas e eu respeitei, acreditando que depois entenderia melhor o porquê (risos). Para o Jean, era importante ter as aberturas do Cedroo sempre em datas com numerais espelhados, como uma de suas marcas. 


Como curadora, de que forma você acredita que levar uma exposição para dentro de uma casa-ateliê pode influenciar a percepção do público sobre as obras e sobre a experiência artística como um todo? 


Bolzsoni - Entrar num espaço de moradia, ainda que já sem o mobiliário do dia a dia, sempre mexe com nosso imaginário. Acho que o público tem um prazer extra com este deslocamento. E circular em uma mostra dentro de um apartamento, como é o caso, pode favorecer que o público exercite uma fruição mais próxima à vida “real”, que nem sempre é possível de se ter em instituições de arte. Sei que a pergunta é para minha persona curadora, mas como ela é totalmente informada pela minha experiência de artista, fico querendo responder também enquanto tal. Me chama bastante atenção a repercussão da abertura de um novo espaço gerenciado por um artista. Isto força uma reacomodação, ainda que de leve, na lógica de uma cena já estabelecida. Este gesto de se autorizar como agente cultural, e abrir sua própria janela de exibição, traz vitalidade, contagia o entorno, fortalece os artistas como um todo. Enfim, voltando ao início, esta alegria da conquista de um novo espaço deve influir na percepção da mostra também.



Entrevista realizada pela jornalista Rafaela Mazzaro para o Cedroo. Junho de 2026

 
 
 

Comentários


Conecte-se Conosco

Centro - São Paulo / Brasil

 

© 2026 cedroo

 

bottom of page